5 de mar de 2012

Ministro encaminha carta à Fifa pedindo afastamento de secretário que criticou o Brasil

 Desde o fim de semana que as declarações feitas por Jérôme vem causando incômodo às autoridades brasileiras, após afirmar que o país precisava levar "um chute no traseiro"


O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, cumpriu a promessa e enviou nesta segunda-feira uma carta ao presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter, se dizendo “espantado” com as declarações dadas, na última sexta-feira, pelo secretário-geral da entidade, Jérome Valcke e pedindo que ele seja afastado das negociações com o Brasil. Na ocasião, Valcke disse que o Brasil precisava levar “um chute no traseiro” por causa dos atrasos nas obras da Copa de 2014. A declaração causou a indignação do governo que reagiu. No sábado, Rebelo disse que não receberia mais o secretário da Fifa para tratar sobre o mundial. 


Na carta encaminhada a Blatter, Rebelo afirma que o país sempre se portou de forma “correta e consciente” de sua capacidade de realização do mundial. No documento, Rebelo classifica as declarações como “inapropriadas”. “A forma e o conteúdo das declarações escapam aos padrões aceitáveis de convivências harmônica entre um país soberano como o Brasil e organização internacional centenária como a Fifa”, reclamou. O ministro conclui o documento dizendo que o Brasil “não pode mais aceitar” Valcke como interlocutor do país com a federação. 

Desde o fim de semana que as declarações feitas por Jérôme vem causando incômodo às autoridades brasileiras, que reagiram prontamente as provocações. Ainda no sábado, durante entrevista coletiva, o ministro disse que o governo brasileiro não pode dialogar com um interlocutor que “emite declarações descuidadas e intempestivas”. Mas, em Londres, de acordo com a Rádio França Internacional, ao saber das declarações de Rebelo, o secretário-geral da Fifa respondeu ao ministro brasileiro com ironia e reafirmou que o país não está honrando os compromissos em relação à organização do evento, às construções dos estádios, além de outros atrasos. Valcke disse ainda que a a reação do ministro era “um pouco infantil”.

Reação do governo

Nesta segunda-feira, o presidente da comissão especial que analisa a Lei Geral da Copa, deputado Renan Filho (PMDB-AL), classificou como “inadmissível” a declaração do secretário-geral da Fifa. "Enquanto interlocutor da Fifa com o governo brasileiro, é inadmissível que o secretário-geral faça uso de expressões inconsequentes, deselegantes e de linguajar chulo, sem considerar as responsabilidades que essa relação e seu cargo exigem", disse o presidente da comissão em nota divulgada nesta segunda-feira. Renan Filho chamou ainda de "insultuosa, descuidada e inapropriada" a manifestação de Valcke. 

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, José Sarney (PMDB-AP), também desqualificou as críticas e disse que a fala de Jérôme é uma “intromissão grosseira”. “O ministro [do Esporte] Aldo Rebelo não falou apenas em seu nome e em nome do governo, mas falou em nome de todo o povo brasileiro a respeito da intromissão grosseira [do dirigente] da Fifa”, disse Sarney. Na entrevista em que fez as críticas, Valcke também apontou a lentidão com que tramita no Congresso o o projeto que institui a Lei Geral da Copa de 2014.

Leia a carta na íntegra



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