4 de ago de 2011

Livros para uns dias de Verão (III) Texto: Pedro Justino Alves

Agosto é mês de férias e férias é mês de colocar as leituras em dia ou experimentar géneros que habitualmente não lemos durante o ano. O Diário Digital vai sugerir ao longo desta semana obras que deve ter em conta quando fizer a eterna pergunta: «O que vou ler nestas férias?»


«Até Lá Abaixo – 3 homens, 1 jipe e 150 dias de aventuras em África», de Tiago Carrasco (OFICINA DO LIVRO)
«E assim, viajando, eles foram da lusa mediocridade se libertando», escreve Miguel Sousa Tavares sobre «Até Lá Abaixo – 3 homens, 1 jipe e 150 dias de aventuras em África», um livro editado pela Oficina do Livro que conta a história de três portugueses, sem dinheiro, que atravessaram o continente africano de automóvel. No total, 150 dias e cerca de 30 mil quilómetros entre Marrocos e África do Sul, que recebia na altura o Mundial de Futebol. «Definitivamente, «Até Lá Abaixo» é uma das mais empolgantes narrativas de viagem escritas em português nos últimos anos», defende o editor Francisco Camacho. Uma viagem que apenas ocorreu, como faz questão de salientar Tiago Carrasco na dedicatória, «a todos os chefes que nunca me propuseram um contrato de trabalho – sem eles este livro não teria sido possível». Ao lermos esta obra tomamos conhecimento de um continente que continua a ser um mistério para milhões de pessoas. E três deles resolveram descobrir in loco os mistérios e segredos de África. Mesmo sem meios para isso, num acto de grande valentia, mas também de ingenuidade…


«Malas de Cartão – A volta ao mundo português em 465 dias», de Patrícia Gameiro de Brito (LIVROS D´HOJE)
Durante 14 meses Patrícia Gameiro de Brito viajou por 40 países, tendo como pretexto seguir os passos da diáspora portuguesa. Macau, Japão, Pequim, Moscovo, Toronto, África do Sul, Etiópia… Foram muitos os locais e em cada um uma história, ou melhor, várias histórias para recordar, sendo que algumas delas acabaram por ganhar vida na revista «Domingo» do jornal «Correio da Manhã». São estas crónicas, agora revistas, que estão reunidas em «Malas de Cartão – A volta ao mundo português em 465 dias», editado pela Livros D´Hoje. «Das muitas coisas que ficaram por dizer – as crónicas, por profundas que sejam, têm uma natureza efémera – há uma que considero essencial. Nunca pretendi fazer um enaltecimento bacoco da Pátria e da grandeza dos feitos portugueses. Existe uma leitura crítica sempre que se justifica, mas a verdade é que o legado português para a História da Humanidade é demasiado importante para ser desconhecido da maioria dos portugueses», escreve a autora na «Introdução». Agora já não há motivos para não conhecer…


«Nascimento de uma Ponte», de Maylis de Kerangal (TEOREMA)
Prémio Médicis2010, «Nascimento de uma Ponte» foi uma das surpresas literárias do ano passado em França. Talvez devido ao prémio alcançado, um dos principais em terras gaulesas, está agora editado entre nós, através da Teorema. Apesar de não ser grande, pelo contrário, tem pouco mais do que 250 páginas, esta obra de Maylis de Kerangal consegue abarcar muito da condição humana, numa história que acolhe uma infinidade de personagens, o que aumenta a sua riqueza, principalmente devido a sua estrutura narrativa. Estamos em Coca, uma cidade imaginária nos Estados Unidos, onde em breve será construído uma ponte. Aos poucos a autora apresenta os protagonistas que têm como objectivo dar corpo ao projecto, aos poucos acabamos por fazer parte desta enorme construção, que, no seu conjunto, passa a segundo plano, já que De Kerangal prefere explorar antes de tudo o lado humano, que está invariavelmente sempre presente nestas empreitadas que ainda hoje surpreendem muita gente.0


«Saber Usar a Nova Ortografia – Novo acordo ortográfico/ Explicação e exercícios», de EditeEstrela, Maria Almira Soares e Maria José Leitão (OBJECTIVA)
Com o novo acordo ortográfico, «Janeiro» escreve-se com letra maiúscula ou minúscula? «Ativo» ou «activo»? «Chapéu-de-chuva» ou «chapéude chuva»? «Ele pára na rua principal» ou «Ele para na rua principal»? As dúvidas são inúmeras e mesmo os mais reticentes terão de alterar o modo como encaram a escrita. Aliás, a entrada do novo acordo ortográfico da língua portuguesa já é uma realidade em alguns órgãos de comunicação social e nas escolas a sua implementação acontece ainda este ano, em Setembro. Por isso, nada melhor do que entender os segredos desta revolução através do livro «Saber Usar a Nova Ortografia – Novo acordo ortográfico/ Explicação e exercícios»,de Edite Estrela, Maria Almira Soares e Maria José Leitão. Ao contrário de outras obras que já encontramos no mercado sobre o assunto, este livro contém a inevitável parte teórica, mas apresenta exercícios que acabam por facilitar a nossa compreensão. E isso faz toda a diferença, o que torna o livro editado pela Objectiva como um companheiro ideal para as novas mudanças que se avizinham…


«Os Dias do Avesso – Conversas do pó dos dias que tocam por dentro e fazem pensar», de Eduardo Sá e Isabel Stilwell(LIVROS D´HOJE)
Durante cinco anos Eduardo Sá e Isabel Stilwell conversaram na rádio Antena 1 sobre vários assuntos. Algumas dessas conversas estão agora transcritas em «Os Dias do Avesso – Conversas do pó dos dias que tocam por dentro de fazem pensar», obra editada pela Livros d´Hoje. No prefácio, Rui Pego questiona: «Então e na passagem ao papel a coisa não perde, não desbota?» O próprio responde: «Perde, claro. Perde o calor e o prazer divertido do Eduardo; o sorriso luminoso e a genuína irreverência da Isabel. Perde em cumplicidade, ganha em intimidade. Porque podemos agora tocar-lhes as palavras. E não há nada mais íntimo do que o toque. E uma boa conversa». Os temas, mais de 50, são os mais variados possíveis (ética, amor, adopção, almas gémeas, memória, pais mal-amados, etc.) e o que é notório verificar é a conivência entre os dois autores. De salientar ainda que os diálogos entre «o Eduardo» e «a Isabel» procuram questionar o assunto abordado sempre de forma clara. As «coversas» estão portanto disponíveis para quem as quiser ouvir...

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