2 de set de 2011

Milhares de bebés continuam a nascer contaminados com HIV em Moçambique

É "ineficaz" o medicamento usado na prevenção da transmissão do vírus de HIV de mãe para filho
Moçambique precisa de abandonar o tratamento de mulheres grávidas e infectadas pelo vírus de HIV com a niverapina para acabar com os casos de transmissão vertical da mãe para o filho. A posição foi apresentada ontem, no Maputo, por Michel Sidibe, director executivo do Programa das Nações Unidas para a Sida (ONUSIDA). O diretor-executivo da ONUSIDA, Michel Sidibé, recomendou às autoridades de saúde de Moçambique que abandonem o uso da nevirapina, por considerar "ineficaz" o medicamento usado na prevenção da transmissão do vírus de HIV de mãe para filho. Segundo o diretor executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/SIDA (ONUSIDA), Michel Sidibé, "Moçambique figura na lista dos 30 países em que 25 por cento das mulheres grávidas continuam a usar a niverapina para prevenir a transmissão vertical". Esta linha de tratamento já foi abandonada por muitos países, por ser ineficaz, pois contribui tanto para o nascimento de crianças com infeção do vírus que causa a SIDA, como para a morte da mulher durante o parto. Falando aos jornalistas após um encontro com o primeiro-ministro moçambicano, Aires Ali, Michel Sidibé, que está a efetuar uma visita a Moçambique, disse que "o país deve tomar uma resolução no sentido de estancar novas infeções, de modo a que não haja mais nascimentos com infeções". Em Moçambique, o tratamento da transmissão vertical é feito pelo Ministério da Saúde, que ainda aplica a monoterapia com niverapina, e pela Comunidade de Sant`Egídio, que usa a tri-terapia às mulheres grávidas a partir da 25.ª semana de gestação e até seis meses depois do parto, a recomendada pelas Nações Unidas. Reagindo hoje à Lusa, o porta-voz do Ministério da Saúde moçambicano, Leonardo Chavane reconheceu que "em alguns locais" de Moçambique ainda se usa a monoterapia com niverapina, mas assegurou que, "em 2010, o país tomou a decisão de abandonar a monoterapia". "Para se mover de uma para a outra terapia há condicionalismos", nomeadamente "uma formação intensiva de quatro a cinco mil profissionais de saúde das 970 unidades sanitárias do país, onde se faz a transmissão vertical", lembrou Leonardo Chavane. "Estamos a avançar para a implementação da tri-terapia", garantiu o porta-voz do Ministério da Saúde de Moçambique''

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